Farol Psicologia - Lins SP

A Farol Psicologia surgiu da idéia de criar um espaço para expor nosso trabalho como psicólogos e pensadores dos dias de hoje.
O farol é nossa inspiração, como um norteador no mar incerto, na incompletude.
Como psicólogos atuamos com as palavras, muitas vezes com o inacessível, e para isso buscamos na psicanálise, na psicologia, nas artes, na poesia, e outras "ciências" respostas, e por que não, mais perguntas.
Quem somos?

Mariana Rosa Cavalli Domingues

Psicologa Clínica e Judiciária
Psicóloga pela UEL, Especializada em Clinica Psicanalítica e Mestre em Filosofia pela UFSCar

@marircd

e
Taciano Luiz Coimbra Domingues

Psicólogo Clínico e Judiciário
Psicólogo pela UEL, Especializado em Terapia de Casal e de Família, Especializado em Terapia sexual e Mestre em Psicologia pela UNESP - Assis.


Rua José Garcia de Carvalho, 70 Lins - São Paulo,
tel.: (14) 99109 - 2016

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Desejo feminino...

Então se pergunta: o que as mulheres querem?
         Os homens têm um desejo direcionado, querem um carro, querem uma mulher bonita... as vezes ficam na dúvida, mas entre uma e outra coisa
         As mulheres querem agradar ao outro, querem se sentir poderosas de serem olhadas, invejadas, saem para comprar um sapato e voltam com  uma bolsa. Querem:
                   - Um homem? Mas sempre observam as outras mulheres – repare como as revistas femininas trazem muitas fotos de mulheres.
                   - Homem sarado? Mas também podem ser apaixonar pelos carecas e gordos.
                   - Dinheiro? O mais rico nunca vai satisfazer o desejo feminino, pois sempre podem querer um pouquinho mais, ou acabar se entregando para um pobretão.
                   - Machão? Mas também sensível.
                   - Romântico, mas com pegada, meio Christian Grey do comentado livro "Cinquenta tons de cinza".
                   - Um cara família que vai ao parque aos domingos, mas que também possa acampar na praia ou fazer uma aventura, nem que seja uma loucura financeira.

 SEU DESEJO PASSA PELO DESEJO DO OUTRO.
                  
            A satisfação feminina, portanto, vai além de um objeto específico e até mesmo do orgasmo sexual. Podem satisfazer-se de tantas maneiras quantas sua imaginação mandar... 

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Agora que o carnaval já passou vamos voltar com as publicações sem mais demoras.
Escolhemos um poema do Gilberto Gil para tocar nossos corações e ampliar horizontes.

     Metáfora

Uma lata existe para conter algo
Mas quando o poeta diz: "Lata"
Pode estar querendo dizer o incontível

Uma meta existe para ser um alvo
Mas quando o poeta diz: "Meta"
Pode estar querendo dizer o inatingível

Por isso, não se meta a exigir do poeta
Que determine o conteúdo em sua lata
Na lata do poeta tudonada cabe
Pois ao poeta cabe fazer
Com que na lata venha caber
O incabível

Deixe a meta do poeta, não discuta
Deixe a sua meta fora da disputa
Meta dentro e fora, lata absoluta
Deixe-a simplesmente metáfora


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            É interessante como tudo que é de concreto pode tomar alcance metafórico e brilhar com mil tonalidades na nossa alma.
            Esta semana vi no jornal uma notícia curiosa. A reportagem dizia que colocaram grades no meio dos bancos de uma da maiores praças de Porto Alegre como o objetivo de impedir que bebados e mendigos dormissem sobre os bancos. Imagino que os namorados também não possam mais fazer isso. Na verdade quem quiser conversar com outra pessoa no mesmo banco terá que ficar atravessado pela estrutura metálica.
            Não pude deixar de lembrar de uma música que sempre gostei de um cantor gaúcho, Humberto Gessinger - " os muros e as grades nos protegem de quase tudo,
                   mas o quase tudo quase sempre é quase nada
                   e nada nos protege de uma vida sem sentido".
É uma pena que nossos espaços públicos tenham se tornado tão inóspitos. Mas fica aí a metáfora.

abraços

Mariana

sábado, 30 de junho de 2012

É importante ter uma família?


Quando ligamos a televisão, assistimos filmes, lemos jornais e andamos pelas ruas, percebemos que a configuração familiar tem se modificado. Normalmente tem se a idéia que família é formada por pai, mãe e filhos, porém essa visão tem se alterado. É cada vez mais comum famílias formadas por: irmãos, tios e sobrinhos, casais homoafetivos, mãe e filhos, pai e filhos, avós e netos, recasamentos etc.



Dessa forma, não podemos mais falar de família e sim de famílias. Não importa a configuração, sua existência continua fundamental. Por que é principalmente dentro da família que o filhote de ser humano se desenvolve de forma saudável fisicamente e psicologicamente. Mas para que ela cumpra esse papel tão importante, é essencial diferenciar autoritarismo de autoridade.

Autoritarismo é a imposição de uma idéia ou vontade pela força, seus membros obedecem por medo. Autoridade é a confiança e o respeito que surge do exemplo moral, os membros obedecem por que admiram e valorizam a pessoa que tenta ensinar algo.

Portanto, para que as famílias cumpram sua função é importante que haja confiança, conquistada através do respeito e da aceitação das diferenças entre seus integrantes. 

Taciano

Texto publicado na revista D`kas Noivas de 2011

domingo, 20 de maio de 2012

No dia 09 de maio de 2012 realizei palestra na Microlins com o título: "Redes Sociais: Possibilidades e Perigos". A palestra foi dirigida às mães em homenagem ao seu dia e ofereceu algumas orientações quanto a forma de lidar com os jovens e o uso da Internet, especificamente das redes sociais.  Resgato neste espaço os pontos centrais que foram discutidos a um público participativo e interessado. Quem quiser conversar mais sobre o assunto é só teclar!


Das possibilidades;
Sabe-se que as redes sociais possibilitam o compartilhamento de informações, conhecimentos, interesses e esforços em busca de objetivos comuns.
Pode contribuir para o fortalecimento da Sociedade Civil, em um contexto de maior participação democrática e mobilização social; Ex: primavera árabe,  protestos em Brasília e outros.
As redes sociais ainda podem servir à divulgação e promoção empresarial.
É importante ressaltar que em relação à subjetividade:
Possibilitam manter amizades e relacionamentos de longa data.
Os mais “tímidos” preferem a linguagem do computador.
Permite conhecer pessoas com afinidade que de outra forma não se conheceriam.

Dos perigos;
Mesmo utilizando a rede (afinal estamos num blog) é preciso reconhecer que não se sabe a identidade de quem está do outro lado.
É fácil criar um personagem com características imaginadas/ fantasiadas pelos usuários. 
Nem sempre as trocas de informações são seguras.
O formato de muitos ambientes on line levam à superficialidade e a relações rasas (quantos amigos você tem no face?).

Das orientações aos pais:
Os pais devem estar próximos de seus filhos.
Respeitar a privacidade dos filhos, mas considerar que estão em formação.
Conhecer as ferramentas e a linguagem dos sites.
Conhecer o filho e perceber alterações de seu humor ou comportamento.
Se interessar pelo que ele faz.
Manter autoridade e justificar possíveis proibições.
Os pais podem e devem criar regras para o uso da internet.
Devem ser estabelecidos horários e sites que podem ser utilizados.

Mariana

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Afetividade na era digital II

Vou iniciar esta postagem com a indicação de um filme "Medianeras: Buenos Aires na era do amor digital": 




    Este filme complementa a discussão do texto anterior, afinal, também fala dos relacionamentos na era digital! O filme argentino toca com delicadeza e profundidade a solidão e também as possibilidades de encontros na atualidade. Mostra uma Buenos Aires parecida com São Paulo, portanto, retrata uma capital da América do Sul. Neste sentido, a película nos é mais próxima do que os filmes americanos ou europeus.
    A esperança de encontrar o amor e o romantismo estão presentes em diversas produções artísticas e, as vezes, isso causa a ilusão de que o amor romântico é a chave para todas os problemas... Assim, muitas pessoas depositam nos seus relacionamentos a responsabilidade pela felicidade.
    Na atualidade o encontro com as pessoas se torna mediado por tantas ferramentas que muitas vezes nos perguntamos até que ponto estamos de fato nos relacionando... Muitos psicólogos temem esta forma de relacionamento "on lline" por alimentar a timidez e a solidão. Mas não podemos esquecer também a proximidade e as possibilidades reais que esta ferramente nos proporciona, como este blog por exemplo...
    Na série do programa "Café Filosófico ", que está sendo reexibida na TV Cultura, Marcelo Tas e outros comentam esta realidade. Para quem não assistiu, vale a pena procurar.

    Eu indico o filme, pois além de ver com outros olhos as relações atuais, também proporciona momentos de prazer!

Aos leitores "abraços virtuais"

Mariana

quarta-feira, 28 de março de 2012

Afetividade na era digital


           Atualmente as relações humanas são cada vez mais mediadas por recursos tecnológicos, principalmente pelos meios digitais. A internet é o nosso maior exemplo disso. Existe uma série de jogos, sites e programas que simulam uma ligação (ou conexão) entre as pessoas. Na vida real posso ter alguns amigos, mas no mundo virtual posso ter dezenas de amigos. Contudo sempre fica a questão: eles são meus amigos de verdade?

            Uma coisa é certa, uma pessoa precisa de proximidade afetiva com outra pessoa para se tornar um ser humano. Daí vem a importância do pai e da mãe (ou de quem toma esse lugar) para a continuidade da vida, ou seja, nós precisamos de alguém que nos alimente, nos aconchegue, nos acalente e nos aqueça. Até hoje não conseguiram inventar um computador que tenha afetividade.
           
            A afetividade é a manifestação de nossos sentimentos e emoções, que podem ser positivos (amor, amizade, ternura etc.) ou negativos (ódio, raiva, vingança etc.). A afetividade pode aparecer de várias formas, dependendo da história individual, do lugar e da cultura a qual a pessoa pertence.
           
            O beijo é uma das expressões de afetividade mais difundidas no nosso planeta. Ele carrega em si amplos significados. Quem melhor do que um poeta para falar sobre ele?tais. A internet é o nosso maior exemplo disso. Existe uma série de jogos, sites e programas que simulam uma ligação (ou conexão) entre as pessoas. Na vida real posso ter alguns amigos, mas no mundo virtual posso ter dezenas de amigos. Contudo sempre fica a questão: eles são meus amigos de verdade?

            Uma coisa é certa, uma pessoa precisa de proximidade afetiva com outra pessoa para se tornar um ser humano. Daí vem a importância do pai e da mãe (ou de quem toma esse lugar) para a continuidade da vida, ou seja, nós precisamos de alguém que nos alimente, nos aconchegue, nos acalente e nos aqueça. Até hoje não conseguiram inventar um computador que tenha afetividade.
           
            A afetividade é a manifestação de nossos sentimentos e emoções, que podem ser positivos (amor, amizade, ternura etc.) ou negativos (ódio, raiva, vingança etc.). A afetividade pode aparecer de várias formas, dependendo da história individual, do lugar e da cultura a qual a pessoa pertence.
           
            O beijo é uma das expressões de afetividade mais difundidas no nosso planeta. Ele carrega em si amplos significados. Quem melhor do que um poeta para falar sobre ele?

Soneto

Por que me descobriste no abandono
Com que tortura me arrancaste um beijo
Por que me incendiaste de desejo
Quando eu estava bem, morta de sono

Com que mentira abriste meu segredo
De que romance antigo me roubaste
Com que raio de luz me iluminaste
Quando eu estava bem, morta de medo

Por que não me deixaste adormecida
E me indicaste o mar, com que navio
E me deixaste só, com que saída

Por que desceste ao meu porão sombrio
Com que direito me ensinaste a vida
Quando eu estava bem, morta de frio
                                                          
                                                                                              Chico Buarque

Taciano Luiz 

segunda-feira, 12 de março de 2012

Sentimento por Drummond

“Tenho apenas duas mãos
e o sentimento do mundo,
mas estou cheio de escravos,
minhas lembranças escorrem
e o corpo transgride
na confluência do amor.”

    Meu poeta preferido é Carlos Drummond de Andrade, autor dos versos acima. Neles algo me fascina, e às vezes me pergunto porquê. Em sua genialidade, a mensagem não poderia ser simples, mesmo assim, me inspira confiança. Não que algo incrível precise ser difícil de entender... não é preciso filosofar apenas em Alemão... A genialidade de Lacan não está no fato de ser autor de leitura árdua.
    Sem mais rodeios, vamos pensar no versos... Começa falando de sua castração, se colocando numa posição humana frágil, demonstrando o real do corpo... “tenho apenas duas mãos”.
Mas neste ser tão meramente humano, cabe todo o sentimento do mundo – é como se sofresse de uma ultra sensibilidade, pois como seria possível uma coisa destas: todo o sentimento do mundo...  diria que toca o infinito.
    O terceiro verso se coloca em contradição aos anteriores – mas estou cheio de escravos – como assim? Cheio de pendências? Coisas que não têm liberdade? Desejos acorrentados, revolta...
“Escorrem as lembranças”, tantas coisas se passam pela mente de quem percebe todo o sentimento do mundo. Acredito que as experiências mais marcantes envolvem alguém que amamos, odiamos ou que despertam aquilo de que se trata o poema:  sentimentos. Muitos idosos descrevem certo cansaço por carregarem , ou guardarem, tantas lembranças.
    E num toque brilhante, os versos finais ligam a ideia inicial que remetia ao corpo a algo que vai além... sim, todo este sentimento e lembrança feita de matéria tão fluídica habita um corpo ardente, pulsante. E nada melhor de que o amor para explicar a união do corpo e da mente .  Eu disse explicar? Não sei o que é mais complicado – falar sobre o amor, ou sobre a dualidade  ou não, do corpo e da alma... enfim, acho que descobri o que me encanta nestes versos.